Categoria: Notas Rápidas

Qualis das revistas de teoria e história da historiografia

A CAPES, órgão do Ministério da Educação, tem seu sistema institucional de avaliação de periódicos – o chamado Qualis. Cada área define (com alguma autonomia, até onde sei) os critérios para classificar os periódicos científicos em que publicam seus pesquisadores em 8 estratos. Em ordem decrescente de “qualidade”, os estratos são: A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5 e C.

Na avaliação referente ao quadriênio 2013-2016 finalmente algumas das revistas internacionais mais importantes na nossa área foram incorporadas ao sistema. Em uma postagem futura, gostaria de discutir mais especificamente os critérios do Qualis, mas por ora me parece suficiente dizer que encarei com estranheza a classificação de Rethinking History e Práticas da História – ambas sub-avaliadas, no meu modo de ver. Aliás, também me escapam completamente os motivos pelos quais o Journal of the Philosophy of History e Storia della Storiografia não foram classificados no estrato A1.

Seguem as avaliações (da área de História) dos periódicos nacionais e internacionais cuja proposta editorial engloba os campos da teoria e e da história da historiografia:

Há ainda os setores de história intelectual, das ideias e da ciência, que contam com algumas de suas revistas mais tradicionais (Isis – A1, para a história da ciência, por exemplo), mas que ainda têm omissões importantes (Modern Intellectual History, Intellectual History Review, Journal of the History of Ideas, por exemplo). Isso porque o sistema só classifica revistas em que autores brasileiros publicaram ao menos 1 artigo. Assim, essas omissões parecem sinalizar o grau ainda avançado da timidez de internacionalização da pesquisa brasileira, e o quanto ainda temos de avançar.

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História da historiografia e história da ciência

Postagem rápida com um pedido de esclarecimentos e sugestões. Há algum tempo percebo uma tendência mútua de desconhecimento ou de pouco interesse entre a história da historiografia e a história da ciência. Esta, aliás, há muito é considerada uma subdisciplina quase que independente da “história dos historiadores” – o que pode começar a explicar o parcial desconhecimento de muitos historiadores com relação a ela. Da parte da história da ciência, parece pesar que as ciências da natureza ocupam lá um lugar de destaque em relação às ciências humanas. É claro que essa observação geral é, como qualquer outra, vulnerável a várias exceções. Na verdade, adoraria que derrubassem essa minha impressão com evidências palpáveis de que o diálogo entre os historiadores da historiografia e os historiadores da ciência é, sim, vigoroso e pulsante. Indicações?

Em nota positiva, recentemente Tiago Santos Almeida organizou um volume com textos de Lorraine Daston, historiadora da ciência lotada no Max Planck Institute for the History of Science, na Alemanha. Com tradução de Derley Menezes Alves e Francine Iegelski, o volume é um passo adiante para cobrir esse vazio. Confira no site da editora LiberArs.