Marcado: escrita da história

“The History Manifesto”

Em Outubro de 2014 Jo Guldi e David Armitage, professores em Brown e Harvard, respectivamente, publicaram um manifesto em defesa do “retorno” à macro-história. Para eles, a história das longas durações seria a mais capaz de restabelecer a importância da historiografia na construção de políticas públicas, bem como de habilitar os historiadores a se posicionarem em debates contemporâneos, marcados pela visão curta e imediata dos fenômenos. O texto está disponível abertamente no site oficial do livro.

Entre muitas reações, o destaque fica por conta da American Historical Review, que conta com um uma crítica voraz de Deborah Cohen e Peter Mandler, professores na Northwestern University e em Cambridge, respectivamente. O texto abre com a seguinte passagem: “É provavelmente da natureza dos manifestos ter vistas curtas e ser um pouco autoritário: eles são os gritos de guerra que levam os soldados para a batalha. Por essa razão, a história é um assunto quase unicamente inadequado aos manifestos.” Os textos estão disponíveis em livre acesso no site da revista.

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Gabrielle Spiegel, “História, Memória e os Imperativos Éticos da Escrita da História no Mundo Contemporâneo”, INTH Conference 2013

“Em minha perspectiva, o historiador não é o guardião da memória, mas um crítico do passado, seja recente ou distante, e abandonar a historiografia enquanto um empreendimento crítico seria descartar o jogo em sua totalidade.” Trecho da fala da prof. Spiegel.

Palestra de Frank Ankersmit: “Parts and the Whole of the (Historical) Text”

Em Novembro de 2012 o prof. Frank Ankersmit proferiu uma palestra no Instituto de Pesquisas Culturais (Institute of Cultural Inquiry), em Berlim, no qual fala sobre seu longo trabalho sobre o escrutínio filosófico do texto histórico. Ankersmit reflete sobre a capacidade cognitiva da representação operada pelo texto histórico e desfaz vários “mal-entendidos” na teoria da história, refutando tanto o ceticismo exacerbado quanto a crença quase religiosa (dogmática) na verdade da historiografia – principalmente ao responder poderosamente a uma questão delicada: como é possível comparar e avaliar duas narrativas diferentes de um evento histórico sem retornar a uma concepção ingênua de referência ao real? Essa e outras perguntas são tratadas com brilhantismo em livros como seu recente “Meaning, Truth, and Reference in Historical Representation” (2012, pela editora da Cornell University).

Lembro aqui que um mês antes dessa palestra ele esteve na Universidade Estadual de Londrina apresentando uma versão abreviada de seu paper “Aftermaths and “Foremaths”” e lançando seu primeiro livro traduzido em língua portuguesa (“A Escrita da História”, na verdade uma coletânea de vários textos distribuídos ao longo da carreira do professor).

Link para a palestra completa no site do ICI Berlin: clique aqui.