Marcado: viradas historiográficas

“Historians in the Archive: Changing Historiographical Practices in the Nineteenth Century” – novo número da History of the Human Sciences

Em seu número de Outubro de 2013, o periódico History of the Human Sciences traz um dossiê editado por Pieter Huistra, Herman Paul e Jo Tollebeek que pensa o papel dos arquivos na constituição de determinadas práticas historiográficas no século XIX – com estudos sobre casos na Europa e fora dela. Segundo os editores, os artigos tentam responder quatro perguntas específicas:

  1. Por que historiadores do século XIX crescentemente enfatizaram a importância da pesquisa de arquivos (Kasper Risbjerg Eskildsen)?
  2. Que tipo de desafios e obstáculos os historiadores encontraram quando tentaram basear seus conhecimentos [scholarship] em pesquisas de arquivo (Philipp Müller, Pieter Huistra)?
  3. Que tipo de aprovação e crítica a virada dos arquivos [archival turn] suscitou entre historiadores, especialmente em relação às demandas que [ela] fez sobre os traços característicos do historiador (Herman Paul)?
  4. Que tipo de apropriação, adaptação e/ou rejeição dos conhecimentos históricos baseados em arquivos na Europa pode ser observado em regiões não Europeias do mundo (Charles Jeurgens, Margaret Mehl) e em campos de pesquisa relacionados, como os estudos orientais (Henning Trüper)? (p. 5-6)

Trata-se, enfim, de um número bastante rico aos interessados na história da historiografia do século XIX.

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Fórum da AHR: “Viradas” historiográficas em perspectiva crítica

Em Junho de 2012, a American Historical Review publicou um dossiê dedicado a pensar as recentes “viradas” pelas quais a historiografia (principalmente a norte-americana) passou. Tratam-se de textos interessantes aos historiadores que tentam entender os processos de questionamento mais ou menos radical pelos quais a historiografia ocidental passou desde os anos 60. Destaco particularmente o texto de Gary Wilder, do qual tiro o seguinte trecho para apetecer os leitores:

No campo da história, estamos agora testemunhando o retorno extemporâneo de elementos de “realismo doutrinário” que Hayden White identificou com o legado de Leopold von Ranke: evidência documental, particularismo descritivo e “explicação pela narração” a serviço de uma história reconstrutiva do “que realmente aconteceu”. O mais impressionante sobre esse desenvolvimento é que o retorno ao realismo descritivo e ao objetivismo arquivístico, na verdade, seguiu o que deveriam ser rupturas epistemológicas iniciadas pelas tão faladas viradas cultural e linguística na historiografia. […] podemos nos perguntar se existe alguma conexão entre o entrincheiramento atual e as viradas em si. […] A real significância histórica das viradas cultural e linguística podem estar, então, menos nas instâncias específicas de inovação historiográfica às quais elas deveriam se referir do que em suas persistentes e perniciosas vidas posteriores.

Em retrospecto, podemos ver que as aberturas analíticas que foram criadas pelas viradas cultural e linguística foram bloqueadas através de um processo de domesticação no qual novas óticas foram transformadas em tópicos de pesquisa rotineiros que reafirmavam pressupostos historiográficos tradicionais. […] (WILDER, 2012, p. 723)

Os artigos estão atrás de paywall, mas podem ser acessados através do Portal de Periódicos da CAPES.

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